
A saúde é amplamente reconhecida como o maior e o melhor recurso para o desenvolvimento social, econômico e pessoal, assim como uma das mais importantes dimensões da qualidade de vida.
A Saúde e qualidade de vida são dois temas estreitamente relacionados, fato que podemos reconhecer no nosso cotidiano e com o qual pesquisadores e cientistas concordam inteiramente. Isto é, a saúde contribui para melhorar a qualidade de vida e esta é fundamental para que um indivíduo ou comunidade tenha saúde.
A Carta de Ottawa – um dos documentos mais importantes que se produziram no cenário mundial sobre o tema da saúde e qualidade de vida – afirma que são recursos indispensáveis para se ter saúde:
- Paz
- Renda
- Habitação
- Educação
- Alimentação Adequada
- Ambiente Saudável
- Recursos Sustentáveis
- Eqüidade
- Justiça Social
Isto implica no entendimento de que a saúde não é nem uma conquista, nem uma responsabilidade exclusiva do setor saúde. Ela é o resultado de um conjunto de fatores sociais, econômicos, políticos e culturais, coletivos e individuais, que se combinam, de forma particular, em cada sociedade e em conjunturas específicas, daí resultando sociedades mais ou menos saudáveis.
Na maior parte do tempo de suas vidas, a maioria das pessoas é saudável. Isto significa que, na maior parte do tempo, a maioria das pessoas não necessita de hospitais, CTI ou complexos procedimentos médicos, diagnósticos ou terapêuticos.
Mas durante toda a vida, todas as pessoas necessitam água e ar puros, ambiente saudável, alimentação adequada, situações social, econômica e cultural favoráveis, prevenção de problemas específicos de saúde, assim como educação e informação.
Isto quer dizer que fatores políticos, econômicos, sociais, culturais, ambientais, comportamentais e biológicos podem tanto favorecer, como prejudicar a saúde.
Para se melhorar realmente as condições de saúde de uma população – um objetivo social relevante em todas as sociedades -, são necessárias mudanças profundas dos padrões econômicos no interior destas sociedades e intensificação de políticas sociais, que são eminentemente políticas públicas. Ou seja, para que uma sociedade conquiste saúde para todos os seus membros, são necessárias uma verdadeira ação inter-setorial e as chamadas políticas públicas saudáveis, isto é, políticas comprometidas com a qualidade de vida e a saúde da população.
Além destes elementos chamados estruturais, que dependem apenas parcialmente da decisão e ação dos indivíduos, a saúde também é decorrência dos chamados fatores comportamentais. Isto é, as pessoas desenvolvem padrões alimentares, de comportamento sexual, de atividade física, de maior ou menor estresse na vida cotidiana e no trabalho, uso de drogas lícitas (como cigarro e bebidas) e ilícitas, entre outros, que também têm grande influência sobre a saúde.
Se cada pessoa se preocupar em desenvolver um padrão comportamental favorável à sua saúde e lutar para que as condições sociais e econômicas sejam favoráveis à qualidade de vida e à saúde de todos, certamente estará dando uma poderosa contribuição para que tenhamos uma população mais saudável, com vida mais longa e prazerosa.
O homem é um animal gregário e, neste contexto, viver em sociedade não é opção, é mera exigência da condição humana. Não é possível conceber, nos dias de hoje, indivíduos isolados.
É no convívio da vida em sociedade, no contexto da família, da comunidade ou no ambiente de trabalho que são desenvolvidos valores, crenças, elementos essenciais da cultura, ações estratégicas, fontes de satisfação e insatisfações, conflitos, acordos e concessões.
É na dinâmica do meio social que cada indivíduo busca "a cooperação de outro para alcançar um objetivo ou [...], quando a cooperação é negada, anular ou contra-arrestar a ação que perturba o seu projeto. Essa relação com o outro cria uma incerteza, difícil de administrar".
Neste jogo de forças inerente à vida coletiva com interesses múltiplos, e às vezes antagônicos, é que os desequilíbrios se instalam, comprometendo outras dimensões da saúde, como, por exemplo, a saúde física, a saúde emocional e a saúde espiritual.
A manutenção da saúde social depende de investimentos na qualidade dos relacionamentos, equilíbrio nos diversos espaços de convívio, incluindo o ambiente de trabalho e a harmonia no meio familiar.